A cultura de segurança no trabalho é um dos fatores mais determinantes para a redução de acidentes de trabalho, incidentes e comportamentos de risco nas organizações.
Mais do que cumprir normas legais ou implementar procedimentos formais, trata-se de desenvolver uma mentalidade coletiva onde a segurança é valorizada, praticada e assumida como responsabilidade de todos, desde a gestão de topo até aos trabalhadores no terreno.
Organizações com uma cultura preventiva forte apresentam menor sinistralidade, maior envolvimento dos colaboradores e melhores níveis de desempenho global.
Por outro lado, empresas que encaram a saúde e segurança no trabalho apenas como uma obrigação legal tendem a agir de forma reativa, intervindo apenas após a ocorrência de acidentes.
Neste contexto, medir, promover e melhorar a perceção de risco torna-se essencial para construir ambientes de trabalho mais seguros e sustentáveis.

A perceção de risco é um elemento central da cultura de segurança no trabalho. Refere-se à forma como os trabalhadores identificam, avaliam e reagem aos perigos presentes no seu ambiente laboral.
Quando a perceção de risco é baixa, aumentam os comportamentos inseguros, mesmo que existam regras e procedimentos bem definidos.
Diversos fatores influenciam a perceção de risco, como a experiência profissional, a formação recebida, a pressão para cumprir prazos e, sobretudo, os exemplos dados pela liderança.
Se os trabalhadores observam que comportamentos inseguros são tolerados ou ignorados, tendem a replicá-los.
Promover uma perceção de risco adequada passa por:
Uma cultura de segurança madura é aquela em que os riscos são reconhecidos antes de se transformarem em acidentes e onde os trabalhadores se sentem à vontade para reportar situações perigosas sem receio de represálias.
Não é possível melhorar aquilo que não se mede. Avaliar a cultura de segurança no trabalho exige a utilização de métricas que vão além dos indicadores tradicionais, como o número de acidentes ou dias perdidos.
Embora importantes, estes dados refletem apenas resultados passados e não a realidade comportamental diária.
Algumas métricas eficazes para avaliar a cultura de segurança incluem:
Os inquéritos de cultura de segurança permitem compreender como os colaboradores percecionam o compromisso da empresa com a segurança, a eficácia da comunicação e o papel da liderança.
Já o aumento no reporte de quase-acidentes é, muitas vezes, um sinal positivo, indicando confiança no sistema e maior consciência dos riscos.
A análise regular destes indicadores ajuda a identificar áreas críticas, definir prioridades e monitorizar a evolução da cultura preventiva ao longo do tempo. Medir a cultura não é um exercício pontual, mas um processo contínuo de aprendizagem e melhoria.
Veja também o nosso artigo sobre “Plano Europeu define Metas para Locais de Trabalho Mais Seguros”

A formação é uma das ferramentas mais poderosas para fortalecer a cultura de segurança no trabalho.
No entanto, para ser eficaz, deve ir além da transmissão de regras e procedimentos. A formação em segurança deve promover a reflexão, a participação ativa e a mudança de comportamentos.
Boas práticas de formação incluem:
A sensibilização regular ajuda a manter a segurança como uma prioridade diária e não como um tema esquecido após a formação inicial.
Pequenas ações, como “toolbox talks”, campanhas internas ou momentos de segurança antes do início das tarefas, contribuem para reforçar a atenção aos riscos.
Além disso, a formação deve ser inclusiva e ajustada aos diferentes níveis da organização. Trabalhadores, supervisores e gestores enfrentam riscos e responsabilidades distintas, pelo que a abordagem deve ser adaptada a cada público.
A liderança desempenha um papel decisivo na consolidação da cultura de segurança no trabalho.
Os líderes são exemplos vivos do que é valorizado na organização. Quando demonstram compromisso genuíno com a segurança, influenciam positivamente atitudes e comportamentos em toda a equipa.
Uma liderança eficaz em segurança caracteriza-se por:
Os líderes devem promover um ambiente de confiança, onde os erros são encarados como oportunidades de aprendizagem e não apenas como motivos de punição. Esta abordagem incentiva a comunicação aberta e o envolvimento dos colaboradores na melhoria contínua.
A melhoria da cultura preventiva é um processo gradual, que exige consistência, compromisso e alinhamento estratégico.
Integrar a segurança nos objetivos organizacionais, avaliar regularmente os progressos e celebrar conquistas são passos essenciais para consolidar uma cultura sólida e duradoura.
Em conclusão, a cultura de segurança no trabalho vai muito além do cumprimento de normas. É um elemento estratégico que influencia diretamente a perceção de risco, os comportamentos diários e os resultados globais das organizações.
Medir essa cultura, investir em formação contínua e promover uma liderança comprometida são pilares fundamentais para reduzir incidentes e criar ambientes de trabalho mais seguros, responsáveis e sustentáveis.
A implementação de uma cultura de segurança no trabalho eficaz exige conhecimento técnico, acompanhamento contínuo e soluções adaptadas à realidade de cada organização.
Empresas especializadas na área da segurança e saúde no trabalho desempenham um papel fundamental neste processo, apoiando a avaliação de riscos, a formação dos colaboradores e o desenvolvimento de estratégias preventivas sustentáveis.
A TECNIQUITEL disponibiliza serviços especializados que ajudam as organizações a medir, promover e fortalecer a cultura preventiva, contribuindo para a redução de incidentes e para a melhoria da perceção de risco.