Garantir um trabalho seguro e acessível é uma das maiores prioridades das organizações modernas. A segurança e a saúde no trabalho devem ser desenhadas para proteger todos os colaboradores, incluindo aqueles com deficiência ou mobilidade reduzida.
A verdadeira inclusão passa por criar ambientes onde todos possam exercer as suas funções com autonomia, conforto e segurança.

A inclusão no trabalho não se limita ao cumprimento de leis ou quotas. Significa reconhecer o valor que cada pessoa traz à equipa e eliminar barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais. Um trabalho seguro e acessível exige que as políticas de segurança sejam pensadas para abranger todos, sem exceção.
A inclusão em segurança no trabalho é também uma questão de respeito e equidade. Quando as empresas se comprometem a adaptar as suas práticas, estão a promover um ambiente laboral mais justo e produtivo, onde todos têm oportunidades iguais para contribuir.
A base de um trabalho seguro e acessível está numa avaliação de riscos personalizada. Esta deve considerar as características individuais dos trabalhadores com deficiência, identificando possíveis dificuldades em situações de emergência, deslocação ou operação de máquinas.
Por exemplo, uma rota de evacuação deve ser acessível a cadeiras de rodas, enquanto um sistema de alarme deve incluir sinais luminosos para pessoas com deficiência auditiva.
Já os trabalhadores com deficiência visual podem necessitar de sinalização tátil ou instruções de segurança em áudio.
A personalização das medidas garante que a segurança deixa de ser genérica e passa a ser verdadeiramente inclusiva.

A tecnologia é uma grande aliada na criação de um trabalho seguro e acessível. Equipamentos adaptados, como cadeiras ergonómicas, mesas ajustáveis, dispositivos de elevação, dispositivos de proteção ocupacional adequados à deficiência do trabalhador e softwares de leitura de ecrã, permitem que cada pessoa desempenhe as suas funções com eficiência e segurança.
Também existem sistemas de alarme vibratórios, sinalizações visuais e ferramentas inteligentes que facilitam a comunicação e a prevenção de riscos.
O investimento nestas soluções não só aumenta a segurança como também melhora a produtividade e o bem-estar das equipas.
Além disso, é essencial garantir formação contínua tanto para os colaboradores com deficiência, que precisam dominar as ferramentas de apoio, como para os colegas e gestores, que devem compreender e respeitar as suas necessidades específicas.
Em Portugal, o Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho (Lei n.º 102/2009) estabelece a proteção da saúde e segurança de todos os trabalhadores. Paralelamente, a Lei n.º 46/2006, que proíbe a discriminação com base na deficiência, reforça o direito de todos a um ambiente laboral adequado e seguro.
As empresas devem assegurar que os espaços cumprem as normas de acessibilidade e que os planos de emergência contemplam todos os colaboradores.
O país é também signatário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o que reforça o compromisso internacional com o trabalho seguro e acessível.
A criação de um trabalho seguro e acessível depende tanto das infraestruturas quanto da cultura organizacional. Algumas boas práticas incluem:
Estas medidas reforçam a confiança, reduzem acidentes e demonstram o compromisso da empresa com uma cultura inclusiva e responsável.

Promover um trabalho seguro e acessível é mais do que cumprir requisitos legais — é um compromisso ético e social com a igualdade e o respeito pela diversidade. Adaptar medidas de segurança para trabalhadores com deficiência ou mobilidade reduzida é investir num futuro onde todos possam participar plenamente, em segurança e com dignidade.
A segurança inclusiva é, em última análise, o reflexo de uma sociedade que valoriza cada pessoa e acredita que todos têm o direito de trabalhar num ambiente sem barreiras.