A vaga de incêndios na Europa deste verão já bateu recordes. Mais de 529 mil hectares já se perderam em 2026, um valor só ultrapassado por 2012 e 2022 nos últimos quinze anos. Além da destruição, há mortes, milhares de evacuados e prejuízos que se contam em milhares de milhões de euros.
A pergunta impõe-se: está a Europa preparada para um risco que cresce todos os anos?
Segundo dados do European Forest Fire Information System (EFFIS), da Comissão Europeia, a área ardida na União Europeia já está 13% acima da média registada entre 2012 e 2025. Espanha lidera as perdas, com quase 186 mil hectares, mais do dobro da sua média histórica. Em França, arderam cerca de 99 mil hectares, o pior valor desde 2012.
Itália e Grécia somam-se à lista dos países mais afetados. Só em França e Espanha, mais de 320 mil pessoas foram evacuadas até final de julho.
Também fora do Mediterrâneo os números preocupam. Na Bélgica, um incêndio na região das Hautes Fagnes destruiu cerca de três mil hectares e tornou-se o maior da história do país. O Reino Unido, a Alemanha e os Países Baixos registaram este ano as suas piores épocas de fogos em, pelo menos, uma década e meia.

Os fogos já não obedecem ao calendário habitual de julho a setembro. Ondas de calor mais longas e secas mais prolongadas alargam a janela de risco a praticamente todo o ano.
Países que raramente associamos a incêndios graves, como a Dinamarca ou a Áustria, ultrapassaram largamente as respetivas médias históricas. Segundo especialistas citados pela Euronews, o sul de Inglaterra já queimou mais de 20 mil hectares este ano, prova de que o risco deixou de ser exclusivo do Mediterrâneo.
Investigadores da Henley Business School, da Universidade de Reading, alertam ainda que o custo económico destes incêndios vai muito além da recuperação das terras queimadas, e que o sul da Europa deve funcionar como sistema de aviso antecipado para o resto do continente.
O custo humano é o mais difícil de aceitar. Em julho, um incêndio na província espanhola de Almería matou pelo menos 12 pessoas e deixou 19 desaparecidas, o mais mortífero deste século naquela região turística.
Em meados de agosto, morreram mais três pessoas: dois corpos foram encontrados na ilha grega de Salamina e um militar espanhol perdeu a vida em Aragão, quando o seu veículo capotou durante o combate às chamas. Estes números somam-se a uma memória ainda recente: o incêndio de Mati, na Grécia, matou mais de 100 pessoas em 2018.
Os prejuízos materiais causados pelos incêndios na Europa seguem a mesma tendência. Segundo um estudo do Banco Mundial com a Comissão Europeia, os danos dos incêndios florestais na UE custaram cerca de 2 mil milhões de euros só em 2022. O mesmo estudo conclui que cada euro investido em prevenção poupa dois euros em danos futuros.
Aqui reside o verdadeiro nó do problema. O Tribunal de Contas Europeu já assinalou ineficiências nos gastos da UE com incêndios florestais, apontando dados desatualizados e falta de prioridade às zonas de maior risco.
A dimensão da negligência e do fogo posto também é visível nas detenções. Em França, mais de 400 pessoas foram detidas este verão por suspeita de ligação aos incêndios que já queimaram cerca de 120 mil hectares no país, o pior registo em vinte anos de monitorização por satélite. Entre os detidos, 156 são menores e 36 permanecem sob custódia.
Do lado da resposta, há progressos: a UE duplicou a sua frota aérea de combate a incêndios, de 13 para 28 aeronaves. É uma medida importante, mas continua a pesar mais no combate do que na prevenção, exatamente o desequilíbrio que os especialistas há anos apontam como o principal erro europeu.
O combate ao fogo ganha-se, sobretudo, antes de ele começar. A prevenção eficaz assenta em vigilância permanente e numa gestão ativa da paisagem, e é aqui que a Europa continua a falhar mais.
Torres de controlo e vigilância, colocadas em pontos altos e estratégicos do território, permitem detetar um foco de incêndio nos primeiros minutos, quando ainda é possível apagá-lo com poucos meios. Esta deteção precoce depende também de guardas florestais em número suficiente, que conheçam o terreno e possam intervir ou alertar de imediato.
Matas limpas e faixas de gestão de combustível reduzem a intensidade com que o fogo se propaga. A criação de pontos de acesso e caminhos florestais é igualmente decisiva, pois permite às equipas chegar rapidamente a zonas remotas.
A pastorícia extensiva é outra ferramenta subaproveitada. Gado a pastar de forma natural mantém o mato baixo e reduz a carga combustível, sem custos elevados de limpeza mecânica.

Nas épocas do ano em que as condições o permitem, as queimadas controladas, realizadas por equipas técnicas, eliminam matéria combustível acumulada e reduzem o risco de incêndios descontrolados mais tarde. É uma técnica antiga, usada há séculos por comunidades rurais, que continua a ser uma das formas mais eficazes de prevenção quando bem planeada.
Quando o fogo já lavra, a rapidez e a fiabilidade do equipamento fazem a diferença entre um foco controlado e uma tragédia. As motobombas para combate a incêndios rurais da TECNIQUITEL são leves, portáteis e permitem abastecer equipas em locais de difícil acesso, mesmo sem eletricidade.
As agulhetas de combate a incêndios rurais ajustam-se automaticamente às flutuações de caudal, mantendo uma projeção de água eficaz mesmo em condições instáveis. Já as ferramentas manuais e técnicas para incêndios rurais continuam a ser indispensáveis para abrir aceiros e conter a propagação em terreno onde os veículos não chegam.
A segurança de quem está na linha da frente também não é negociável. O equipamento de proteção individual rural foi pensado especificamente para as exigências do combate a incêndios florestais, e não para incêndios estruturais.
Do lado da prevenção, as estações meteorológicas permitem monitorizar em tempo real humidade, vento e temperatura, dados essenciais para antecipar dias de risco extremo e reforçar a vigilância nos pontos mais expostos.
Já explorámos este tema no blog: veja as nossas dicas sobre como prevenir incêndios florestais e acompanhe o estado dos incêndios rurais em tempo real.
Os números de 2026 confirmam que os incêndios na Europa seguem uma tendência que já não é surpresa: mais calor, mais área ardida, mais gente a fugir de casa. As centenas de detenções por fogo posto mostram também que parte do problema continua a ser humana, e evitável.
Investir a sério em vigilância, gestão da paisagem e equipamento adequado para quem ataca o fogo no terreno é a única forma de a Europa deixar de correr atrás das chamas.