Os afogamentos em Portugal atingiram, em 2026, um dos piores patamares da última década. Depois de dois anos de melhoria assinalável, no entanto, os números deste ano travaram essa tendência.
O tema voltou, por isso, ao centro da conversa pública. Os dados são da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (Fepons), através do seu Observatório do Afogamento. Confirmam, de facto, o que as notícias de verão já deixavam antever. Rios, praias fluviais e zonas costeiras sem vigilância continuam a ser palco de tragédias. Em muitos casos, poderiam ter sido evitadas.
Neste artigo reunimos os números mais recentes e alguns dos casos que marcaram os últimos meses. Explicamos também porque é que o equipamento certo, no local certo, continua a ser decisivo entre a vida e a morte.a vida e a morte.

Entre 2023 e 2024, Portugal registou uma redução histórica. As mortes por afogamento caíram de 155 para 121, uma quebra de 21,9%, segundo a Fepons. A federação atribuiu este resultado ao reforço da presença de nadadores-salvadores e às campanhas de sensibilização.
Essa trajetória inverteu-se em 2026. Só no primeiro trimestre morreram 36 pessoas por afogamento — mais 28,6% do que no mesmo período de 2025. É, aliás, o valor mais alto desde que o Observatório do Afogamento começou a recolher dados, em 2017. Até final de maio, o total subiu para 57 mortes, contra 49 no mesmo período de 2025.
Os dados demográficos ajudam a perceber onde está o risco:
– 69,4% das vítimas eram homens;
– 47,2% das ocorrências deram-se em rios e praias fluviais;
– 19,4% aconteceram no mar;
– praticamente todas as mortes ocorreram em locais sem qualquer assistência.
Este último ponto não é um pormenor. Em 2024, 97,5% dos afogamentos em Portugal aconteceram em zonas sem vigilância de nadadores-salvadores; apenas três das 121 vítimas desse ano morreram numa praia ou piscina vigiada. A conclusão da Fepons é direta: onde há nadador-salvador e equipamento de resgate disponível, o risco cai de forma drástica.
Por trás das estatísticas há histórias concretas, e o verão de 2026 já deu vários exemplos de como o risco está distribuído por todo o país — não apenas nas praias mais conhecidas.
No rio Douro, no Porto, um jovem de 17 anos morreu afogado depois de saltar para a água durante um mergulho com amigos CNN Portugal. No rio Mondego, uma criança ficou entre a vida e a morte após um afogamento Correio da Manhã.
Numa praia fluvial de Resende, também no Douro, uma pessoa morreu e outra ficou ferida no mesmo incidente Correio da Manhã.
Em Castelo de Paiva, um jovem perdeu a vida no rio Arda Correio da Manhã, e em Braga uma canoa virou-se no rio Cávado, deixando um jovem em estado grave Correio da Manhã.
Também numa praia fluvial, um homem de 24 anos morreu afogado Correio da Manhã.
Na praia de Esposende, no litoral norte, um homem morreu afogado O Minho.
Na Costa da Caparica, outro homem perdeu a vida em circunstâncias semelhantes Correio da Manhã.
Estes casos não são exceções isoladas. O jornal “O Mirante” noticiou, ainda em julho, que os afogamentos estavam a disparar também a nível regional. As autoridades reforçaram, por isso, o alerta junto a rios e piscinas O Mirante. O padrão repete-se: água doce, sem vigilância, muitas vezes com jovens envolvidos.

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) tem vindo a acompanhar de perto o impacto dos afogamentos em crianças e jovens, numa campanha desenvolvida em parceria com a GNR e APSI. Os números que apresenta merecem atenção.
Entre 2020 e 2024, mais de 60 crianças perderam a vida por afogamento em Portugal. Na faixa dos 10 aos 19 anos, o risco é ainda maior: 38 mortes em cinco anos. Estas mortes estão, aliás, cada vez mais associadas a rios, barragens e outras massas de água natural, e não apenas a piscinas.
Já em crianças até aos 4 anos, o maior risco está nos internamentos, sobretudo em piscinas privadas. Só em 2025, a APSI contabilizou 33 casos e 12 mortes de crianças e jovens.
Há também uma leitura mais otimista, que importa não perder de vista. Ao longo das últimas duas décadas, as mortes anuais de crianças por afogamento desceram de 28 para 8, e os internamentos de 49 para 13. É um progresso real, construído com décadas de prevenção.
Contudo os números de 2026 mostram que esse progresso não é garantido. Pode ,aliás, reverter-se se a vigilância e os meios de resgate não acompanharem o aumento do uso recreativo de rios, barragens e praias.
Não há uma única explicação, mas os especialistas apontam fatores que se repetem ano após ano. Por um lado, faltam nadadores-salvadores em Portugal. A Fepons já alertou, aliás, para as condições precárias da profissão como uma das razões para essa dificuldade em fixar profissionais. Ou seja: sem nadador-salvador, não há vigilância. E sem vigilância, a resposta a um afogamento depende quase sempre de quem está por perto, muitas vezes sem formação nem equipamento adequado.
A isto soma-se o comportamento de risco. Os saltos para a água a partir de pontes ou rochas são frequentes, tal como os mergulhos em zonas de profundidade desconhecida. Também é comum o uso de canoas ou pranchas sem colete salva-vidas.
Há ainda, no entanto, um fator estrutural. Rios, barragens e praias fluviais raramente têm o mesmo nível de equipamento de resgate que as praias marítimas vigiadas. Isto apesar de estas zonas concentrarem quase metade das ocorrências registadas em 2026. rem quase metade das ocorrências registadas em 2026.
O calor mais intenso e prolongado dos últimos verões também empurra mais pessoas para zonas de água sem qualquer estrutura de apoio. Isso agrava ainda mais o problema.
Antes de chegar à parte do equipamento profissional, vale a pena lembrar algo importante. Grande parte dos afogamentos em Portugal continua a ser evitável com decisões simples, tomadas antes de entrar na água.
Algumas recomendações que a APSI e a Fepons repetem em todas as campanhas:
– Preferir sempre praias e zonas balneares com nadador-salvador presente e bandeira içada;
– Evitar entrar em rios, barragens ou albufeiras fora de zonas identificadas para banhos;
– Usar colete salva-vidas em atividades como canoagem, remo ou pesca, mesmo para quem sabe nadar bem;
– Nunca saltar para a água sem confirmar a profundidade e a existência de obstáculos;
– Vigiar sempre crianças pequenas dentro de água, a uma distância que permita intervir de imediato.
Nenhuma destas medidas substitui a resposta profissional quando algo corre mal. No entanto, reduzem de forma direta o número de situações que chegam a exigir um resgate.

Os números da Fepons são claros quanto a isto: a presença de nadadores-salvadores reduz drasticamente o risco de morte. Contudo, essa presença só é eficaz quando acompanhada do equipamento certo: coletes salva-vidas, fatos de imersão para água fria e dispositivos de lançamento rápido. Estes últimos permitem iniciar um resgate em segundos, antes mesmo de o socorrista entrar na água.
Já explorámos este tema no nosso blog. Falamos, por exemplo, da importância dos salvamentos aquáticos em Portugal e do papel de equipamentos como os sistemas OneUP na resposta a situações de afogamento. Vale a pena revisitar esses artigos para perceber, com mais detalhe, como cada peça de equipamento se encaixa numa operação de resgate real.
Para quem gere equipas de socorro — bombeiros, autarquias ou clubes náuticos — a pergunta não deveria ser apenas “quantos afogamentos há”. A pergunta certa é, isso sim: “estamos equipados para responder a um, agora”?
Há 49 anos que a TECNIQUITEL fornece soluções de engenharia e segurança a entidades que não podem falhar quando é preciso agir depressa. Entre elas estão bombeiros, autarquias, empresas industriais e clubes de nadadores-salvadores. A área de Resgate e Salvamento reúne, assim, equipamento pensado especificamente para operações de salvamento aquático.
Entre os equipamentos disponíveis destacam-se os fatos de imersão CONTRA 140, certificados para operações em água fria. Também se destaca a gama de coletes salva-vidas SWIFT, pensada para uso profissional prolongado por equipas de socorro.
Para quem gere pontos de acesso à água — praias fluviais ou marítimas, piscinas públicas, marinas e portos — há dois equipamentos particularmente relevantes: São eles o Totem SOS OneUp Náutico e a Icase SOS OneUp Náutica.
Ambos funcionam como estações de emergência autónomas, com alimentação solar, ligação GSM/4G com alerta automático aos serviços de emergência. Incluem, além disso, botão de chamada, martelo de emergência e três dispositivos de resgate salva-vidas OneUP autoinsufláveis prontos a lançar.
A diferença está sobretudo no formato. O Totem é uma coluna autoportante de 188 cm, pensada para grande visibilidade em praias e zonas balneares mais amplas. Já a Icase é uma caixa mais compacta, indicada para marinas, portos, piscinas ou pontos de acesso com menos espaço disponível.

Este tipo de equipamento tem ainda uma dimensão legal a não ignorar. O Decreto-Lei n.º 97/2018 obriga os municípios a garantir comunicações de emergência nas zonas balneares. Instalar uma estação deste tipo deixa, por isso, de ser apenas boa prática — passa a ser também um requisito de conformidade.
A sua organização tem responsabilidade sobre uma praia, um rio, uma barragem ou qualquer zona de água com afluência de público? vale a pena rever se o equipamento de resgate disponível está adequado à realidade de 2026, e não à de há uma década.
Os números de 2026 mostram que a redução conquistada em 2024 não é um resultado adquirido de forma definitiva. Cada aumento percentual representa pessoas concretas — muitas delas jovens, muitas em rios e praias fluviais sem qualquer vigilância.
A prevenção continua, por isso, a ser a primeira linha de defesa. Isso significa evitar zonas sem assistência, usar colete salva-vidas em atividades aquáticas e respeitar a sinalização existente.
Mas há quem tenha, ainda assim, a responsabilidade de responder quando a prevenção falha. Para essas equipas, ter o equipamento certo — disponível e em boas condições — continua a ser a diferença entre uma emergência controlada e uma tragédia.
Os números de 2026 são um alerta claro de que este é o momento certo para essa avaliação, e não a próxima época balnear. A equipa da TECNIQUITEL está disponível para ajudar a avaliar essa resposta.