Muitas empresas subestimam a proteção auditiva no trabalho quando a comparam com outros equipamentos de proteção individual. Contudo, os danos causados pela exposição contínua a ruído são irreversíveis.
A perda auditiva induzida por ruído ocupacional é uma das doenças profissionais mais comuns na indústria. Ainda assim, o equipamento certo evita-a com facilidade. Por isso, neste artigo explicamos como identificar os níveis de risco e escolher a proteção auditiva mais adequada para cada ambiente de trabalho.

A exposição prolongada a níveis de ruído elevados provoca danos progressivos e, na maioria dos casos, permanentes nas células sensoriais do ouvido interno.
O problema é que esta perda auditiva ocorre de forma gradual e indolor. Por isso, muitos trabalhadores só percebem o risco quando já é demasiado tarde. Ambientes como fábricas, oficinas metalúrgicas, aeroportos ou estaleiros de construção apresentam frequentemente níveis de ruído que ultrapassam os limites legais de exposição.
Em Portugal, a legislação estabelece valores de ação e limites de exposição diária ao ruído, medidos em decibéis (dB). Concretamente, a partir de 80 dB já é obrigatório disponibilizar proteção auditiva aos trabalhadores, e a partir de 85 dB o uso torna-se obrigatório.
Além disso, acima destes valores a entidade patronal deve também implementar medidas de redução do ruído na fonte, sempre que tecnicamente possível. Esta medida complementa o uso de EPIs.
Para perceber melhor as consequências legais e para a saúde desta exposição, veja também o nosso artigo sobre exposição a ruído no trabalho.
Para compreender melhor os valores de exposição e as medidas preventivas recomendadas, pode consultar a Diretiva Europeia relativa à exposição dos trabalhadores ao ruído (EU-OSHA). Este documento explica os limites de exposição, os valores de ação e as obrigações das entidades empregadoras.
Existem essencialmente dois grandes grupos de proteção auditiva no trabalho: os tampões auriculares e os abafadores de ruído (protetores tipo concha).
O trabalhador insere os tampões diretamente no canal auditivo. Este tipo de proteção é indicado para uso prolongado em ambientes moderadamente ruidosos. Além disso, é discreto e compatível com capacetes de segurança ou óculos de proteção.
Os abafadores, por sua vez, cobrem toda a orelha externa e oferecem, geralmente, um nível de atenuação superior. Por isso, são mais indicados para ambientes com picos de ruído muito elevados, como operações de rebitagem ou corte metálico.
A escolha do equipamento deve ter em conta três fatores principais.
Em primeiro lugar, é preciso considerar o nível de atenuação necessário, indicado pelo valor SNR (Single Number Rating). Em segundo lugar, importa garantir o conforto para uso prolongado. Por último, há que garantir a compatibilidade com outros EPIs que o trabalhador já utiliza.
Um erro comum é escolher proteção auditiva com atenuação excessiva. Esse excesso pode isolar totalmente o trabalhador do ambiente sonoro e dificultar a perceção de sinais de alarme ou a comunicação com colegas.
Por isso, o equilíbrio entre proteção e perceção auditiva é fundamental para a segurança global no local de trabalho.
Uma tendência crescente na proteção auditiva no trabalho é o uso de protetores eletrónicos. Estes equipamentos têm microfones que amplificam sons ambientes de baixa intensidade, como vozes ou sinais de alarme, e bloqueiam automaticamente picos de ruído perigosos.
Esta tecnologia permite manter a comunicação e a consciência situacional dos trabalhadores, sem comprometer a proteção auditiva, sendo especialmente útil em ambientes onde a comunicação constante é essencial para a segurança.

Tal como qualquer EPI, a proteção auditiva no trabalho precisa de cuidados regulares.
O trabalhador deve lavar diariamente os tampões reutilizáveis com água morna e sabão neutro. Além disso, deve inspecionar os abafadores quanto a fissuras nas almofadas ou perda de elasticidade na haste. Equipamentos danificados perdem eficácia de atenuação, por isso a empresa deve substituí-los de imediato.
Muitos trabalhadores retiram os protetores auditivos por desconforto, ou porque acreditam que “só vão estar expostos por pouco tempo”. Contudo, mesmo exposições curtas a ruído muito elevado podem causar danos permanentes.
Ações de sensibilização e formação sobre os riscos reais da exposição ao ruído são fundamentais. Só assim se consegue aumentar a adesão ao uso correto e contínuo da proteção auditiva no trabalho.
A proteção auditiva no trabalho é um investimento simples que evita uma das doenças profissionais mais comuns e mais frequentemente ignoradas.
Avaliar os níveis de ruído, escolher o equipamento com atenuação adequada e investir na formação dos trabalhadores são passos essenciais. Desta forma, é possível preservar a audição de quem trabalha diariamente em ambientes ruidosos.
Escolher a proteção auditiva no trabalho mais adequada nem sempre é uma tarefa simples. Isto porque existem diferentes níveis de ruído, ambientes de trabalho e requisitos legais a considerar.
A TECNIQUITEL disponibiliza uma vasta gama de soluções de proteção auditiva e uma equipa técnica especializada, para ajudar empresas e profissionais a identificar o equipamento mais adequado às suas necessidades. Deste modo, garante conforto, conformidade legal e um elevado nível de proteção em cada aplicação.