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Luís Paulo
13 de Julho de 2026

Os Piores Acidentes de trabalho em Portugal nas Últimas Décadas

Os acidentes de trabalho em Portugal continuam a ser uma tragédia recorrente e evitável. Apesar da evolução tecnológica e das melhorias nos processos de prevenção, todos os anos há trabalhadores que não voltam a casa. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, não falamos de casualidades: falamos de quedas em altura, explosões, soterramentos e esmagamentos com data, local e nome.

Neste artigo reunimos alguns dos episódios mais graves das últimas décadas — na construção civil, na indústria pirotécnica, na petroquímica e na mineração — e explicamos o que cada um deles nos ensina sobre segurança industrial. A conclusão é sempre a mesma: a prevenção continua a ser a ferramenta mais eficaz para salvar vidas.

A dimensão real do problema

Os números não deixam margem para dúvidas. Em 2024 foram registados 187.018 acidentes de trabalho em Portugal (dados do continente), dos quais 120 foram mortais — uma descida de 11,8% face aos 136 óbitos de 2023, mas ainda assim uma média de mais de dois trabalhadores mortos por semana.

Olhando para um período mais alargado, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) contabilizou pelo menos 695 mortes entre 2019 e 2024, mais do que os 646 registados no quinquénio anterior (2014-2019). E há um dado que raramente aparece nos comunicados oficiais: existe uma enorme discrepância entre as estatísticas públicas e as comunicações das seguradoras ao Ministério Público. Só em 2023, enquanto a ACT registava 156 vítimas mortais, as seguradoras comunicaram 448. Por outras palavras, a sinistralidade laboral real é provavelmente muito superior à que consta nas estatísticas.

Dois padrões repetem-se ano após ano: cerca de um terço (32,5%) dos acidentes mortais ocorre na construção, o setor mais afetado, e 64,3% acontecem em empresas pequenas, com 1 a 49 trabalhadores — precisamente onde os investimentos em segurança e formação costumam ser mais frágeis.

Construção civil: quedas em altura, o risco número um

A construção civil é historicamente o setor com mais acidentes de trabalho graves em Portugal. Quedas em altura, soterramentos e falhas em equipamentos de elevação continuam entre os incidentes mais comuns. O perfil das vítimas é bem conhecido: na sua maioria homens entre os 45 e os 54 anos, com Lisboa a concentrar o maior número de sinistrados graves (126), seguida do Porto (96) e de Braga (49).

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Um dos casos mais chocantes dos últimos anos aconteceu, no entanto, em contexto industrial e mostra bem o perigo do trabalho em altura. A 12 de fevereiro de 2024, no complexo da Repsol Polímeros, em Sines, dois trabalhadores de uma empresa prestadora de serviços — de 21 e 37 anos, ambos de nacionalidade brasileira — morreram ao caírem de mais de 30 metros enquanto desmontavam um andaime. A ACT mobilizou de imediato uma equipa de inspetores e o sindicato do setor classificou o sucedido como uma “falha grosseira de segurança”.

Em muitos destes acidentes, as investigações apontam sempre para os mesmos fatores: ausência de sistemas de proteção coletiva, andaimes mal montados ou mal desmontados, e o uso inadequado — ou a inexistência — de equipamentos de proteção individual. Capacetes, linhas de vida, arneses e calçado de segurança não são acessórios: são a diferença entre um susto e um funeral.

É aqui que as soluções de proteção antiquedas e para trabalhos em altura da TECNIQUITEL desempenham um papel essencial, ajudando as empresas a cumprir a legislação e, sobretudo, a proteger quem trabalha em fachadas, coberturas e estruturas elevadas.

Explosões e incêndios industriais: a tragédia da pirotecnia

Quando se fala dos piores acidentes de trabalho em Portugal, a indústria pirotécnica ocupa um lugar trágico. Só nos 12 anos até 2017, as explosões em fábricas de fogo de artifício provocaram cerca de 22 mortos.

O episódio mais grave ocorreu a 4 de abril de 2017, em Avões, no concelho de Lamego, na fábrica de pirotecnia Egas Sequeira. Uma série de explosões provocou seis mortos e dois desaparecidos, num estrondo sentido a mais de dez quilómetros de distância. Das vítimas, seis pertenciam à mesma família — o proprietário, uma filha, três genros e uma sobrinha — e duas eram funcionários, com idades entre os 22 e os 52 anos. O Presidente da República deslocou-se ao local no dia seguinte.

Não foi um caso isolado. A cronologia negra da pirotecnia inclui, entre muitos outros:

As explosões e incêndios industriais não se limitam, porém, à pirotecnia. Em unidades químicas, metalúrgicas e petroquímicas, pequenas falhas técnicas podem desencadear catástrofes. A refinaria de Sines conhece bem esse risco, com incidentes ao longo das décadas, e em dezembro de 2025 uma explosão num tanque da antiga refinaria da Galp, em Matosinhos, provocou um incêndio que voltou a assustar as populações vizinhas. A ausência de deteção precoce de fumos e gases, de planos de evacuação eficientes e de manutenção periódica de equipamentos críticos transforma um incidente controlável numa tragédia.

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Vale a pena lembrar que a legislação portuguesa — desde logo a Lei n.º 98/2009, que estabelece o regime de reparação de acidentes de trabalho e doenças profissionais — reforça a responsabilidade das entidades empregadoras na proteção dos trabalhadores. Investir em sistemas de proteção contra incêndios e em deteção de gás da TECNIQUITEL deixa de ser um custo para passar a ser aquilo que separa um incidente de uma catástrofe.

Indústria pesada e mineração: soterramentos e esmagamentos

A indústria pesada e a mineração concentram alguns dos acidentes mais violentos. Máquinas sem proteção adequada, falta de manutenção e falhas humanas continuam a causar amputações, esmagamentos e mortes.

As minas do Baixo Alentejo tornaram-se, na última década, um dos símbolos desta realidade. Nas explorações da Somincor (Neves-Corvo) e da Almina (Aljustrel), contabilizaram-se cerca de dez mortos e sete feridos graves ao longo de vários anos. A 12 de fevereiro de 2024 — no mesmo dia do acidente da Repsol em Sines —, um trabalhador de 42 anos morreu soterrado juntamente com a sua máquina em Neves-Corvo, no quarto acidente mortal daquela mina em três anos. Em Aljustrel, só em 2019 morreram dois trabalhadores, a 11 de fevereiro e a 7 de março.

Muitas empresas ainda operam com máquinas antigas e sem sistemas automáticos de bloqueio, o que aumenta drasticamente o risco. Em contrapartida, os ambientes industriais modernos recorrem a sensores, barreiras de segurança e procedimentos rigorosos de manutenção preventiva. A utilização de equipamentos de proteção ocupacional e EPI certificados da TECNIQUITEL ajuda a reduzir a exposição dos trabalhadores a riscos mecânicos, químicos e térmicos, enquanto a formação torna as equipas mais conscientes dos perigos reais do local de trabalho.

O impacto humano por trás dos números

Para além das estatísticas, cada acidente é uma vida partida. Muitos sobreviventes enfrentam incapacidades permanentes, dificuldades financeiras e sequelas psicológicas profundas. Famílias inteiras ficam sem sustento — como aconteceu em Lamego, onde uma única explosão eliminou seis membros da mesma família.

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As vítimas relatam com frequência dificuldades no acesso a apoio médico adequado e processos burocráticos demorados, o que reforça a importância de uma resposta rápida e eficiente após qualquer acidente. As empresas têm responsabilidade direta na criação de ambientes seguros: quando negligenciam normas básicas, colocam vidas em risco. E o inverso também é verdade — investir em segurança industrial melhora a produtividade, reduz custos com baixas médicas e fortalece a reputação da organização.

A importância da prevenção e da formação

A maioria destes acidentes graves poderia ter sido evitada. Formação contínua, fiscalização rigorosa e utilização de equipamentos certificados fazem toda a diferença. As empresas líderes em segurança não dependem apenas de regras escritas: fazem da segurança parte da rotina diária, com auditorias regulares, planos de emergência e monitorização constante que permitem identificar riscos antes de se tornarem tragédias.

Entidades como a ACT, em Portugal, e a EU-OSHA — Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho disponibilizam recomendações e boas práticas que ajudam as empresas a reduzir riscos ocupacionais. A tecnologia acrescenta uma camada adicional de proteção: sensores inteligentes e sistemas automáticos ajudam a minimizar falhas humanas em ambientes críticos.

A TECNIQUITEL atua há décadas no mercado português com soluções especializadas em engenharia e segurança industrial, disponibilizando equipamentos e serviços para proteção antiquedas, prevenção de incêndios, deteção de gás, EPI e formação em segurança ocupacional.

Como reduzir os acidentes graves no futuro

Portugal evoluiu bastante em matéria de segurança laboral, mas os números dos últimos anos mostram que há um longo caminho a percorrer — sobretudo nas pequenas empresas e nas obras de reabilitação urbana, onde continua a morrer gente.

As empresas que ignoram as normas de segurança não colocam apenas trabalhadores em risco: enfrentam também consequências legais e financeiras severas. Por isso, cumprir as regras não deve ser visto como uma obrigação legal, mas como um investimento estratégico. A modernização dos processos, a formação contínua e a adoção de equipamentos certificados podem reduzir significativamente os acidentes de trabalho em Portugal.

O futuro do trabalho passa, inevitavelmente, por ambientes mais seguros, mais tecnológicos e mais bem preparados para proteger aquilo que é insubstituível: vidas humanas.

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Luís Paulo
Assistente de Comunicação e Marketing
13 de Julho de 2026

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