Num incêndio estrutural, o ar torna-se rapidamente irrespirável — não apenas pelo fumo, mas pelos gases tóxicos libertados pela combustão de materiais modernos. Sem aparelhos respiratórios autónomos fiáveis, nenhuma outra peça de equipamento tático tem qualquer utilidade, porque a equipa simplesmente não consegue permanecer no local.
Neste artigo explicamos os critérios técnicos que devem orientar a escolha de um ARICA (Aparelho Respiratório Isolante de Circuito Aberto), também conhecido internacionalmente como SCBA, e como garantir que a sua corporação está corretamente equipada.

Ao contrário de outros equipamentos táticos, uma falha no aparelho respiratório autónomo não é apenas um contratempo operacional — é uma ameaça direta e imediata à vida do bombeiro. Isto torna este equipamento aquele onde menos margem existe para compromissos de qualidade ou manutenção deficiente.
Não é por acaso, que o manual conjunto da Direção-Geral da Saúde e da ANPC (atual ANEPC) sobre a saúde dos bombeiros portugueses sublinha a importância do uso correto do aparelho respiratório isolante para a proteção da saúde respiratória da equipa.
Um sistema completo integra tipicamente:
1. Garrafa de ar comprimido, disponível em diferentes capacidades e materiais (aço ou compósito de fibra de carbono, mais leve);
2. Regulador de pressão, que controla o fluxo de ar entregue ao utilizador;
3. Máscara facial completa, com vedação ao rosto e visor resistente a impacto e calor;
4. Sistema de alarme de baixa pressão, que avisa o utilizador quando o ar disponível se aproxima do limite crítico;
5. Arnês de transporte, distribuindo o peso do conjunto de forma ergonómica sobre o corpo.
Autonomia e capacidade da garrafa
A escolha entre garrafas de diferentes capacidades e materiais implica um equilíbrio entre autonomia (tempo de ar disponível) e peso transportado. Garrafas de compósito, mais leves, permitem maior mobilidade sem sacrificar significativamente a autonomia.
Ergonomia e distribuição de peso
Um ARICA mal ajustado ou mal distribuído sobre o corpo aumenta a fadiga e reduz a mobilidade da equipa precisamente quando é mais necessária. O arnês deve permitir ajuste rápido e distribuição equilibrada do peso entre ombros e cintura.
Facilidade de colocação sob pressão
Em situações de emergência, o tempo necessário para colocar corretamente o equipamento é crítico. Sistemas com fixação rápida e intuitiva reduzem o risco de erro sob stress.
Compatibilidade com outro equipamento
A máscara facial deve ser compatível com o capacete e restante EPI usado pela equipa, sem comprometer a vedação ou o campo de visão.
A manutenção de um ARICA não é opcional nem negociável, dado o risco direto associado a uma falha. O programa de manutenção deve incluir:
– Inspeção visual antes e depois de cada utilização;
– Testes de estanquicidade da máscara e do sistema completo;
– Verificação do funcionamento do alarme de baixa pressão;
– Testes hidrostáticos periódicos das garrafas, conforme prazo legal aplicável ao tipo de material;
– Registo individual de manutenção por equipamento, com histórico completo de utilização e intervenções.

Possuir o equipamento certo não é suficiente sem formação adequada. A equipa deve estar treinada para:
– Colocar e ajustar o equipamento rapidamente, incluindo em condições de baixa luminosidade;
– Gerir o consumo de ar de forma consciente, monitorizando a autonomia restante durante a operação;
– Reagir corretamente a uma falha de alarme de baixa pressão ou a uma avaria do regulador;
– Realizar procedimentos de emergência de partilha de ar, quando aplicável ao protocolo da corporação.
O aparelho respiratório autónomo trabalha em conjunto com o restante equipamento tático de combate a incêndios estruturais, nomeadamente com câmaras de imagem térmica, que permitem localizar vítimas e focos de incêndio mesmo em condições de visibilidade nula devido ao fumo.
Modelos como o DIVATOR PRO PACK são exemplo de equipamento pensado especificamente para operações de combate a incêndio, com foco em perfil baixo e ergonomia de transporte.
Escolher e manter corretamente aparelhos respiratórios autónomos é, provavelmente, a decisão de equipamento mais crítica que uma corporação de bombeiros pode tomar — porque nenhuma outra ferramenta tática tem qualquer utilidade se a equipa não conseguir respirar em segurança durante a operação. Investir em qualidade, manutenção rigorosa e formação contínua não é um custo — é a base de toda a capacidade operacional.
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